No reino da pedra

Na quinta-feira, dia 03 de Julho, eu decidi ir ao encontro duma pedra enorme, nas proximidades de Sintra.

Quis sentir-me em meu tamanho natural, obrigando-me a aceder à humildade mais funda, que me fizesse redescobrir o valor da luta pela sobrevivência. 

Acabei por perceber que a serra continuava mar adentro. Há, lá embaixo, a continuação desta pedra, impondo-se sobre o reino de Neptuno e Yemanjá. 

Ela abriga seres aquáticos, protegendo-os dos predadores naturais, nas suas encostas monumentais submersas. Surpreendi-me, ao aprender que pedras como esta delineiam a profundeza marinha. 

A praia onde as ondas rebentam é uma espécie de plataforma estreita, na qual eu estava autorizado a estar. Nesta faixa espremida entre a água e a pedra, fui invadido por uma calma restauradora. Eu já não era o gigante das minhas fantasias, nem o camundongo dos meus pesadelos. 

Sou apenas um ser humano, a existir entre os demais. 

Havia um lugar pra mim, sustentado pela imensidão rochosa, semi encoberta pelo manto diáfano neptuniano, através do qual o sol, naquela tarde, conseguia, no máximo, imprimir um tom prateado sobre a vista impressionante da pedra imensa. 

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