Tarde. Lisboa, Campo Grande.
O mundo passa, o tempo roda. Continuar lendo Tarde. Lisboa, Campo Grande.
Mil versos atrás,
eu escrevi três livros.
Ainda não lhes dei papéis.
Apenas lhes dei a luz
sobre estes trapos coloridos.
O mundo passa, o tempo roda. Continuar lendo Tarde. Lisboa, Campo Grande.
… Entupidas as vísceras de sua musa
odorífera presunção incorpora o quarto
O mofo à margem da palavra, ele o arranca
para disfarçá-la, matreiro, com guilhos e guirlandas… Continuar lendo O Poeta
Mulheres continuam sentadas ao fim da festa lotada. Algumas delas querem muito Outras querem nada. Exigentes ou rejeitadas Até o fim solitárias. Arrojadas pedintes renitentes empoladas Demasiadamente enfadadas. Na festa, há mulheres sentadas Umas querem; outras, nada. Continuar lendo Umas e outras
Onde haveria História, eu vejo ruína Onde haveria beleza, a vaidade Onde haveria saber, uma casca Onde haveria Deus, vejo verme Onde haveria mundo, latrina. Continuar lendo Nunca
Descobrir na gruta a cama e dormir a sabedoria primordial deve nos guiar para além do que a ciência explora há sempre o aroma do chá Não devemos mais ter medo de deus nem seguir profetas que dizem não ou ritos que outorgam sorrateiros o poder a homens sem razão Destruamos os templos rezemos na praça abertos, musicalmente abraçar árvore, cultuar trovão Vamos usufruir das coisas como … Continuar lendo Na Gruta
Apiedo-me das pessoas que portam bolsas. Sofro pelos cães que arrastam trenós, ainda mais pelos cavalos que levam charretes. Choro pelos burros atados a carroças. Burros forçados a puxarem carroças. Burros sequer sabem o que puxam, nem por que são obrigados a fazê-lo? Pessoas via de regra carregam bens alheios. Pessoas vivem, afinal, feito burros, escravizadas. Boa parte delas tam nada seu para levar consigo. Gosto … Continuar lendo Gatos
… A menina acredita que o rio sentiu a pedra jogada por ela
Que a pedra viveu intensamente o voo e se assustou quando se chocou com o rio … Continuar lendo Uma Pedra Perfura um Rio
… Padecem de mazelas semelhantes
o pobre austríaco, o pobre alemão.
São todos pobres de antemão… Continuar lendo Pobres Padecem
As coisas todas sobrepostas, alinhavadas pela memória, foram deitadas fora. Com meu pote vazio de açúcar, outra vez sem calção, em plena praia lotada. Toda a areia da moela grudada na minha goela, junto com dois quilos de sal. Haja vista minha tendência ao descalabro, tirem as crianças da sala. Sou uma fruta vazia de sumo agora. Antes, as coisas todas sobrepostas. Continuar lendo Descalabro
… São meus os sonhos
aquelas ficções são minhas
cheias de mim mesmo
aludem a realidades… Continuar lendo Meus